sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

cinzas


 
Folhas marrons e negras ao vento, assim me sinto totalmente ao léu, sem destino, sem paz, sem casa como sempre me senti.

Uma psicóloga me disse que a mania recorrente de desenhar casinhas e janelas advém do fato de sempre me sentir sem casa, sem pouso, um barco à deriva, para usar uma frase feita e que cabe bem em meu estado atual, quando sinto frio constante, aquele frio que cobertor algum pode aquecer, que te escorre da alma e coração.

É o outono do ser em pleno verão do calendário.

E tudo fica pior porque preciso correr para as cortinas pois uma nesga de céu avermelhado ameaça invadir meu quarto negro, logo agora, que eu já me consolei com meu tormento de hora inteira.

Mas felizmente ao assomar à janela vejo galhos retorcidos do que era uma azaléia rosa e antes de chegar a cama sinto sob os pés o fraturar dos corpos, das centenas, de baratas que comigo dividem o espaço.

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