sábado, 14 de dezembro de 2013
NOVA DIETA NAS PENITENCIARIAS
_Bom dia vim lhes trazer o novo cardápio a ser servido nos presídios de todo o país a partir da semana que vem, quer anotar? infelizmente não pude imprimir porque estamos sem tinta para a impressora.
_Pode falar...
_Bom, começando pela água...todos tem que receber três litros diários de água da marca Evian. Depois no desjejum, uma xícara grande de café do tipo exportação com leite desnatado, um croissant, um misto quente e um pedaço de bolo marta-rocha e por fim uma taça de geleia real e outra de frutas. No almoço um filé grelhado de salmão, arroz integral cozido durante uma hora, misturado à seleta de legumes e camarões sete barbas, feijão, de preferência branco ou vermelho... devido a faseolamina...dizem que é uma maravilha para a saúde.
_É mesmo? Eu só como preto...
_Eu tenho comprado branco de vez em quando, o vermelho nem pensar, caro demais... Continuando... duas porções de legumes cozidos com uma porção de herbs fines e dois tipos de salada sem sal e com um fio de óleo extra virgem, grego, de preferência... mas se houver dificuldade, podem usar português ou espanhol mesmo, de sobremesa um crepe suzete.
Agora o café da tarde...
...Ufa terminamos, eu ainda tenho que ir aos hospitais, mas esses são fáceis.
_É mesmo?
_É, no almoço e na janta quirera e pão com chá nos lanches.
quinta-feira, 14 de novembro de 2013
FRAGMENTOS
Estranho: Fora do comum não reconhecer, principalmente não reconhecer (-se) sempre me achei fora do comum ou melhor deslocada, as primeiras a me perceber como tal foram minha avó paterna me observando brincar e falar sozinha e uma professora primária, que observou que eu estava sempre só.
Na época creditei tanto uma como outra observação como implicância, achava que os adultos não gostavam de crianças e por isso infernizavam tanto...
Agora sei que ambas tinham razão, estranha, sou estranha, em literatura os exemplos são pungentes, Camus com seu estrangeiro, Carson McCullers em "A Convidada do Casamento" e mais recentemente a famosa Strayed, sobrenome propositalmente escolhido devido a definação do dicionário: desviar-se do caminho certo, afastar-se da rota direta, perder-se, ficar louco, ser sem pai nem mãe, estar sem casa, perambular sem rumo à procura de alguma coisa, divergir ou divagar.
Todas as definições me servem, tenho até pensado em ir até o Piauí a pé.
domingo, 18 de agosto de 2013
ZÍNGARA
TE VI ENTRE AS PÉTALAS VERMELHAS
LÁBIOS E LENÇO TAMBÉM EM ESFUSIANTE
CARMIM, EM QUALQUER OUTRA SERIA EXAGERO
MAS NA TUA DELICADEZA, E PARA A LEMBRANÇA
DE TEU RISO SEMPRE PRONTO A SE MOSTRAR,
TEU SER SEMPRE DANÇANTE, TODA AQUELA
COR PARECIA MUITO PERTINENTE, TIVE A IMPRESSÃO
DE QUE A QUALQUER MOMENTO VOCÊ SAIRIA A DANÇAR
ARREBANHANDO TUA SAIA LONGA SAPATEANDO A ANDULUZA.
DURMA EM PAZ, ATÉ QUALQUER DIA.
segunda-feira, 5 de agosto de 2013
CRUZ
A PEQUENA CRUZ A BEIRA DA RODOVIA
PROCLAMA NO SILÊNCIO:
"MIRO, TE AMEI MUITO, JAMAIS TE ESQUECEREI".
ENTÃO MIRO, DURMA COM O CANTO
DO VENTO E DAS ÁRVORES E COM AS PALAVRAS
QUE EMANAM UM SENTIMENTO TÃO BOM
QUE VAI TE EMBALAR ETERNAMENTE.
BUGRE, 05/08/2005
sexta-feira, 28 de junho de 2013
outras palavras
Outras palavras que entraram para o nosso vocabulário, algumas nem tão recentes mas...
Acessibilidade _ para todos por favor.
Sustentabilidade _oxalá que nâo seja tarde demais.
Pec 37_ xô desgraça, desde que os investigadores também não precisem de investigaçâo.
Manifestação_que seja o despertar, a consciência enfim.
Plebiscito_resoluçâo submetida a apreciação do povo. Voto popular a favor ou contra uma proposta. A meu ver gasto inútil de dinheiro público, bastava que acabasse a corrupção e que se gastasse os escorchantes impostos com sáude, educação, segurança...
Escorchante? tirar a pele ou revestimento(de animal ou planta)cometer erros em, roubar, cobrar preços altos; explorar. Esse é o nosso verbo, eu exploro, tu exploras...
domingo, 16 de junho de 2013
MODERNIDADE
NESTA SEMANA TIVE A PROVA DEFINITIVA DE QUE MEU VOCABULÁRIO É ARCAICO PARA DIZER O MÍNIMO, PRIMEIRO A PREFEITURA DE CURITIBA JOGANDO PARA CIMA DOS TRANSEUNTES A MODERNOSA_PEDESTRISMO_CREDO.
NO LAROUSSE TEM: PEDESTRE; PESSOA QUE ANDA OU ESTÁ A PÉ, MAS PEDESTRISMO...NÂO ACHEI. DE QUALQUER FORMA SERÁ UM GANHO? TOMARA! PARA NOSSA MALTRATADA LÍNGUA.
ENTÂO EIS QUE NA QUINTA-FEIRA VISITANDO UM FAMILIAR NO HOSPITAL, ME DEPAREI COM UM JOVEM, QUE COMO EU ESCOLHEU GANHAR A VIDA SERVINDO O PRÓXIMO, MAS CERTAMENTE NOS VINTE E CINCO ANOS QUE ANDEI PELOS CAMINHOS DO SERVIR E ENSINAR, AS COISAS MUDARAM MUUUITO, POIS FIQUEI ESPANTANDÍSSIMA QUANDO O COLEGA DE PROFISSÃO ME LASCOU EM CIMA UM... CARA...POSSO TER CARA DE QUALQUER COISA, MAS EM MINHA FORMAÇÃO JAMAIS TIVE CONTADO COM UMA LINGUAGEM TÃO...MODERNA, MAS A PROFISSÃO É REALMENTE VISTA COMO CONSERVADORA E ATUALMENTE QUALQUER CONSERVADORISMO É DEMODÊ, BREGA, NÃO VOU COLOCAR OUTRAS RETICENCIAS POIS JÁ VEJO O MONTE DE CRÍTICAS DOS SEGUIDORES.
NA MESMA SEMANA VI UMA JORNALISTA DIZER NO AR EM AGRADECIMENTO AO PÙBLICO "FOI DO C...ESTAR COM VOCÊS" O QUE ME FEZ CONCLUIR QUE OU SOU DEFINITIVAMENTE ANTIGA OU COMO DIRIA DEMASSI É PROVÁVEL QUE O MUNDO TENHA ACABADO E NÃO TENHAMOS SIDO INFORMADOS, DE QUALQUER FORMA DESEJO SORTE E FELICIDADES AO MEU COLEGA DE PROFISSÃO POIS SEI DAS AGRURAS DE SEU DIA A DIA.
SALUTE IRMÃO.
sexta-feira, 10 de maio de 2013
MÃE
NA MIRÍADE DE LUZ REVOLUTEANTE FIXADA EM NOSSO MURO PERCEBO QUE TUA ATENÇÃO OUTRORA VÍVIDA E DE EXELÊNCIA REAPARECE NA SEDUÇÃO DO COLORIDO MOVIMENTO, SEI QUE SE VOCÊ AINDA TIVESSE O DEAMBULAR LÉPIDO _MEU DEUS, DE TÃO POUCO TEMPO... VOCÊ IRIA ATÉ A FLOR DE CELULÓIDE COLORIDO QUE VOCÊ ME DIZ, AJUDA A ATRAIR AS BORBOLETAS, E OS BEIJA-FLORES QUE VOCÊ AMA.
QUE ELES VENHAM SEMPRE TE DISTRAIR DA TUA/NOSSA DOR.
sexta-feira, 15 de março de 2013
DIA DA POESIA
NO DIA DA POESIA ELA RECUSOU-SE
A VIR, SERIA POR QUE O PÃO TÁ MUITO CARO,
O PAI MATA O FILHO OU É MORTO POR ELE?
OS FINS MAIS DO QUE NUNCA JUSTIFICAM OS MEIOS?
E O SOL SE RECUSA HÁ DIAS A ILUMINAR A
TERRA DAS ARAUCARIAS, O VENTO E A ÁGUA
NÃO PERMITEM QUE SE VEJA A LUA?
OS PÁSSAROS JÁ NÃO TEM COMIDA, ESTÃO FICANDO
SEM ÁRVORES PARA ABRIGO...
DEVE SER POR UM DESTES MOTIVO OU POR TODOS
ELES QUE ELA, SENTINDO-SE OFENDIDA POR TEREM
LHE NOMEADOS UM DIA E NÃO TODOS COMO DEVERIA
SER, DECIDIU PEREMPTORIAMENTE, NÃO APAREÇO.
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013
Desistência
Enquanto subo em direção ao viaduto vou sentindo o deslocamento de ar dos automóveis em alta velocidade, andar naquele local a qualquer hora é perigoso e hoje pré feriado, hora do rush, é sem dúvida muito mais perigoso.
Talvez se tivesse corrido mais perigo ao longo dos anos não precisasse estar agora ali, sentindo o sibilo dos pneus nos ouvidos, mas na juventude acreditei que poderia fazer meu destino, modifica-lo, então sai dando murro em todas as facas que se interpuseram em meu caminho, não foram poucas as facas, e nenhuma cega, todas cortaram tão profundamente que mesmo que tivesse conseguido mudar substancialmente meu destino provavelmente não o teria apreciado, tal Marilyn Monroe ou Cristina Onassis, e não sendo linda nem rica as coisas ficaram muito piores.
A primeira lembrança que tenho de minha infância é como um pesadelo de que se desperta num repente, vejo minha mãe sentada numa cama grande com uma criança mamando em seu peito, sei que se tratava de meu irmão M, depois dele viriam mais cinco sem que nenhum tenha escapado de suas sinas.
Ela me mandou comprar um pão no armazém da prima de meu pai que ficava na porta da frente do casarão onde alugávamos um quarto, o dinheiro não era suficiente para o pão, mas ela me advertiu para dizer ao rapaz que depois ela pagaria o pão.
Estaria aí a gênese da angústia ininterrupta que me atormenta, o desespero sempre me corroendo no sorriso do rapaz mostrando para a mãe a moeda insuficiente?
Ou porque tive a petulância de tentar escapar do meu destino, aqui estou, tenho um papel que diz que conclui o curso na universidade, um outro que fala em pós-graduação, serviram para alguma coisa? NADA.
Em todos os minutos da minha vida me perguntei se eu tivesse ido embora naqueles dias aos quatorze anos, atrás do sol e do mar, teria então sido feliz, que é a felicidade afinal?
Será, como eu imagino, uma casa bonita, lindos quadros, caros tapetes, muitas viagens?
Não há mais tempo para descobrir, por isso sem mais delongas, sem pensar, dou o passo para direita e na mesma hora as estrelas que ainda não chegaram ao céu descem aos meus olhos e ouço o baque surdo o esfarelar de ossos e sentidos.
sábado, 2 de fevereiro de 2013
O Bonde Perdido
Que não seja agora uma covarde, que na hora certa seja capaz de retomar o bonde e levar a vida a frente para o que der e vier.
terça-feira, 22 de janeiro de 2013
AUTO DAS DORES
Inda noite, deixa os filhos na única cama tateando a luz da vela, que luz elétrica só daqui uns cinco anos.
_Eles regularizam nossos papéis, comadre vai ver.
Rosto lavado, batom nos lábios.
Outra mirada nos filhos, adormecidos.
Vela apagada, porta do barraco bem fechada.
_Senhor cuide de minhas crianças mais este dia.
Pelos degraus de pedras, quase a correr, lá vai mais uma Maria, esta que sempre lembra que...
_Mãe acertou em cheio poderia ser Maria do Rocio,
Maria Rita, Maria Helena como as várias que conhece,
mas não, mãe que do babado entendia bem mandou, bota aí:
Maria Das Dores.
E de Maria e de dores,vai se cumprindo a sina.
Sétima filha num renque de dez crianças, metade anjinhos que subiram para as hostes divinas antes do primeiro ano de vida, também ela, mãe aos catorze, aos vinte com dois filhos vivos, dois mortos, companheiro cumprindo pena na Frei Caneca, das Dores vai empurrando a vida.
Na segunda-feira dorme mais, limpa o barraco, lava roupa acorda com os resmungos e beijinhos, da linda Greice que na inocência de seus quatro anos, adora dormir entre a mãe e o irmão Michel que aos seis anos, já rateia.
_Ô mãe vê se consegue pelo menos uma cama só pra mim, não gosto de dormir com você e a Greice, ela joga as pernas em cima de mim a noite toda.
_Meu Deus! Preciso de mais uma casa para limpar.
De terça a sábado, a mesma rotina, deixar os filhos sozinhos, sai quase a correr pelos becos da favela, até chegar ao asfalto e mesmo que seja pendurada, seguir aos trancos e barrancos, dentro da primeira condução, até a cidade, de lá caminhar mais um eito, até as casas dos bacanas na zona sul, deixar tudo limpo, até as cinco horas
para chegar as sete no barraco falar rapidamente com a Rocio, vizinha generosa que leva e traz da escolinha os filhos de das Dores, junto com sua Carolayne.
Hoje segue célere, como sempre, para casa, vai feliz, carrega no sutiã o pagamento das faxinas da semana. Gastou um pouco no mercado, leva frango, salsicha e pão, um creme cheiroso para pentear os cabelos de Greice,
sorri ao lembrar dos cachos longos e lindos da menina, leva também um sabonete chique, na caixinha bonita, presente da patroa, vai dar pra Rocio, vizinha boa merece.
Assim que desce do ônibus, o solavanco no peito.
Carros da polícia, homens que correm, as biroscas todas fechadas, os passageiros que desembarcaram com ela da condução tentam desesperados subir os degraus que levam ao alto do morro, enquanto outros descem correndo, no ar cheiro forte de pólvora, gritos e tiros, muitos tiros.
_Ô dona, não pode subir, quer morrer?
_Meus filhos estão lá sozinhos, vou subir para buscar eles.
_Não vai porra nenhuma, vai descendo.
Das Dores grita, esperneia desesperada, ouve muitos gritos, o braço que a segura amolece quando uma pedra é atirada por alguém que ela não vê entre as lágrimas, atingido no ombro o soldado arqueja e a larga, um sargento com uma escopeta na mão, grita _Deixa, deixa subir que foda-se.
_Vai negona vai, dane-se.
As pernas de das Dores doem moles, ela soluça alto, mãos machucadas ela praticamente arrasta-se nos últimos degraus.
Reconhece um rapagão seu vizinho, que carrega o pai doente, atrás sua mulher e os dois filhos correm._Viu minhas crianças? O menino responde:
_Estão aí para trás com dona Rocio. Das Dores percebe que perdeu um sapato, joga o outro fora, enxergando um casal que corre carregando crianças.
_Rocio, pelo amor de Deus cadê meus filhos?
_Vem das Dores, as crianças estão aqui.
_O marido de Rocio tem Greice no colo, olhos enormes e soluços doloridos.
_Vamos as duas, continuem a descer, depois conversam.
Agarrada a mão de Michel, descalça, toda descabelada, o coração saindo pela boca, das Dores reza uma algaravia que pretende ser um agradecimento a Deus por suas crianças e para ter forças para chegar ao asfalto.
Os tiros longe e esparsos agora, no frescor da madrugada com os dois filhos agarrados a seu corpo, das Dores tem os olhos secos, não adianta chorar.
Ela e Rocio se olham, sorriem e depois riem como loucas. _Onde estão seus sapatos?
_Perdi um, joguei o outro.
_Droga fiz uma janta tão boa...
_Trouxe alguma coisa pras crianças comerem?
_Como, Tião? Só lembrei do colchonete, sabia que passaríamos a noite ao relento.
_Mãe, podemos comer, então essas salsichas e pão?
_Claro meu filho, você pegou a sacola, ainda bem, nem lembrei mais dela.
_Peguei claro, sabia que comeríamos fora hoje.
sexta-feira, 11 de janeiro de 2013
A Ceia
Miguel atarefa-se pela cozinha, dona Elvira curva-se vez ou outra na poltrona para observá-lo pela porta em arco que separa a pequena sala de estar da cozinha.
Franze os lábios e sacode a cabeça em um não mudo e desalentado.
Das panelas no fogo escapam odores deliciosos, uma carne suculenta acaba de ser retirada do forno e agora Miguel intercala fatias de abacaxi às de carne exatamente como vira no programa de culinária.
- Humm. Giordana, você não imagina como isso vai ficar delicioso. Tá confortável aí? Quer uma almofada para apoiar as costas?
Miguel afasta-se e olha a mesa com satisfação, as velas, as flores e as taças vermelhas combinando.
- Bom, agora Giordana só mais dez minutinhos, para o meu banho.
- Não demore Miguel, estou com fome e não posso ficar acordada até muito tarde.
- Tá, tá mãe, volto já.
A velha senhora anda vagarosamente até a mesa, afasta uma cadeira e senta-se com cuidado para não derrubar nada, come algumas uvas encarando a figura a sua frente.
- Coisa feia, como meu filho não enxerga que está perdendo a vida... Bem diz o Dr. Temporal, preciso convencê-lo a tratar-se...
A figura de borracha e celulóide à frente da senhora permanece imóvel e tesa.
sexta-feira, 4 de janeiro de 2013
Hora
Corre o tempo lá fora, contado no relógio dos homens
com um tiquetaquear adiantado, tudo alterado pois urge
correr a vida, terminar o que foi começado, chegar, voltar
ir e ficar, economizar a luz, o tempo, a água, esgotar as alternativas.
Tudo inútil pois abaixo do sol Ele dita o tempo _o seu tempo_
pelo desfolhar das flores, pelo cair das folhas, pelo sazonar das frutas,
e o que conta então não é o desígnio e muito menos á vontade dos homens
mas a ordem divina e as batidas sãs dos corações.
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