O homem está há longo tempo debruçado sobre a mesa com um copo de aguardente na mão mesmo sem conseguir divisar o copo sabe que ele está vazio e pensa que não deve tomar mais, não quer estar bebado ao ser preso, larga o copo e fita a escuridão a sua volta, não se dera ao trabalho de acender o candeeiro e também não trancara a porta, pois sabe que ela será arrombada se necessário.
Tenta
ouvir acima dos ruídos da noite, mas por enquanto só os grilos e sapos compõem
a litania noturna, mas ele deseja que seja breve, pois a incerteza o desespera,
pensa em acender o lume para tentar dissipar a escuridão, o frio e a desesperança
que permeiam sua vida, então ouve um tropel de cavalos, vozes... Chegaram. Mesmo
sem querer estremece a lembrança do grito que o persegue: Robespierre hás de me
seguir!