domingo, 9 de dezembro de 2012

Anna Akhmátova




Anna Akhmátova (1889-1966)



Aprendi a viver com simplicidade, com juízo,

a olhar o céu, a fazer minhas orações,

a passear sozinha até a noite,

até ter esgotado esta angústia inútil.



Enquanto no penhasco murmuram as bardanas

e inclina o alaranjado cacho da sorveira,

componho versos bem alegres

sobre a vida caduca, caduca e belíssima.



Volto para casa. Vem lamber a minha mão

o gato peludo, que ronrona docemente,

e um fogo resplandecente brilha

no topo da serraria, à beira do lago.



Só de vez em quando o silêncio é interrompido

pelo grito da cegonha pousando no telhado.

Se vieres bater à minha porta,

é bem possível que eu sequer te ouça.

                                                                    1912

                                                                    in Rosário
  

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