terça-feira, 11 de agosto de 2015
ESPERANÇA
Dizem que ela te conduz ao longo da vida.
Com ela você espera a felicidade, a justiça
humana ou divina.
Se ela acaba não há mais porque viver
nem nada para esperar.
Sorte é que ela não morre fácil nem rápido
pelo comtrário é a última a morrer.
terça-feira, 2 de junho de 2015
GIRASSÓIS
SENHOR DA VIDA DAI-ME TEMPO PARA PLANTAR MEUS
GIRASSÓIS, NÃO SOU VAN GOGH E NÃO QUERO SEU DESTINO
EMBORA AME SUAS PINTURAS E ME COMPADEÇA DEMAIS DE
SEU DESTINO TÃO SOFRIDO NÃO O QUERO PARA MIM, SÓ DESEJO
DE AGORA PARA SEMPRE PAZ SAÚDE E FELICIDADE PARA MIM E
OS MEUS.
PARA A HUMANIDADE, TODOS QUE MEREÇAM.
GIRASSÓIS, NÃO SOU VAN GOGH E NÃO QUERO SEU DESTINO
EMBORA AME SUAS PINTURAS E ME COMPADEÇA DEMAIS DE
SEU DESTINO TÃO SOFRIDO NÃO O QUERO PARA MIM, SÓ DESEJO
DE AGORA PARA SEMPRE PAZ SAÚDE E FELICIDADE PARA MIM E
OS MEUS.
PARA A HUMANIDADE, TODOS QUE MEREÇAM.
quinta-feira, 21 de maio de 2015
MENINO DA MINHA DOR
TE VI ENQUANTO FLUTUAVAS SOBRE OS CAMPOS
COBERTOS DE FLORES AMARELAS AINDA MEIO EM BOTÃO,
TAIS OS QUE TENHO NUM QUADRO EM MINHA SALA,
DESLIZAVAS MANSAMENTE NA VERTICAL, VESTIDO
COMO O PEQUENO PRÍNCIPE NAS AQUARELAS PINTADAS
POR ELE MESMO, OS BRAÇOS CRUZADOS SOBRE O PEITO,
COSTUME QUE TINHAS, O CABELO ARREPIADO E LOIRO
DE QUANDO ERAS CRIANÇA. ESTRANHEI A ECHARPE
AMARELA POIS NÃO GOSTAVAS DE NADA QUE TE PRENDESSE
OS MOVIMENTOS, MAS PARECIAS FELIZ, FINALMENTE TINHAS
DERROTADO A AGONIA E O SENTIMENTO DE BANALIDADE
QUE NÃO TE PERMITIAM PERMANECER SÓBRIO.
COBERTOS DE FLORES AMARELAS AINDA MEIO EM BOTÃO,
TAIS OS QUE TENHO NUM QUADRO EM MINHA SALA,
DESLIZAVAS MANSAMENTE NA VERTICAL, VESTIDO
COMO O PEQUENO PRÍNCIPE NAS AQUARELAS PINTADAS
POR ELE MESMO, OS BRAÇOS CRUZADOS SOBRE O PEITO,
COSTUME QUE TINHAS, O CABELO ARREPIADO E LOIRO
DE QUANDO ERAS CRIANÇA. ESTRANHEI A ECHARPE
AMARELA POIS NÃO GOSTAVAS DE NADA QUE TE PRENDESSE
OS MOVIMENTOS, MAS PARECIAS FELIZ, FINALMENTE TINHAS
DERROTADO A AGONIA E O SENTIMENTO DE BANALIDADE
QUE NÃO TE PERMITIAM PERMANECER SÓBRIO.
sexta-feira, 15 de maio de 2015
NOSTALGIA
TAMBORES TOCAM ABISMOS
E MURALHAS DE SILÊNCIO
DESPERTAM OS BLUES
E AS DANÇARINAS
FAZENDO DANÇAR
GINGER ROGERS
E TOCAR
B.B.KING
Vai meu amigo tocar para as estrelas.
E MURALHAS DE SILÊNCIO
DESPERTAM OS BLUES
E AS DANÇARINAS
FAZENDO DANÇAR
GINGER ROGERS
E TOCAR
B.B.KING
Vai meu amigo tocar para as estrelas.
sexta-feira, 24 de abril de 2015
ÍMPIO II
MINHA COURAÇA AGORA ESTÁ CICATRIZADA E AS LIÇÕES APRENDIDAS.
ESTÃO SENDO ASSIMILADAS E COLOCADAS EM PRÁTICA À LARGA, MINHA CASAMATA DE CIMENTO CADA VEZ MAIS CONFORTÁVEL E PRÓSPERA GRAÇAS
ÀQUELE QUE ME CARREGA E TEM ME ILUMINADO SEMPRE E A QUEM CONTINUAREI
A ROGAR SEMPRE, MEU CORAÇÃO ESTÁ EM PAZ COM A JUSTIÇA BRANDA MAS POSSÍVEL DOS HOMENS, E A JUSTIÇA MAIOR, AQUELA QUE DIZ NÃO MATARÁS, SÓ
EU POSSO TIRAR E DAR A VIDA, ESTÁ A MANIFESTAR-SE E ELA É FIRME E ETERNA.
quinta-feira, 16 de abril de 2015
Ímpio
Em minha couraça de desilusões, frustrações e lágrimas
reina agora mais um retalho, este composto de pequenos
fragmentos de aço e chumbo que pretendiam, pela mão do ímpio,
cortar definitiva ou parcialmente meu caminhar, mas aquele que me
carrega aos ombros sempre que caio, vendo-me de joelhos diante da
sanha assassina ordenou_ Desvia-te braço insano, este sonho ainda
não acabou.
Vai escrevinhadora prossegue em teu afã de levar a palavra, de ser
feliz, vê se adquire mais compaixão, menos auto-piedade, mais garra,
desapego à matéria e sê mais agradecida, continua ainda com
tua sina que não é maligna e ainda está por cumprir-se, não me
venhas chorar e dizer, não fiz, não sou, quero e não consigo, vai
pierrô, prossegue em tua luta, tua lira, pois continuo a te carregar.
sexta-feira, 6 de março de 2015
AUTO DAS DORES
Inda noite, deixa os filhos na cama de casal única no barraco, tateando à luz da vela, que luz elétrica só daqui uns cinco anos.
_Eles regularizam nossos papéis, comadre vai ver.
Rosto lavado, batom nos lábios.
Outra mirada nos filhos adormecidos.
Vela apagada, porta do barraco bem fechada.
_Senhor cuide de minhas crianças mais este dia.
Pelos degraus de pedras, quase a correr, lá vai mais uma Maria, esta que sempre lembra que...
_Mãe acertou em cheio poderia ser Maria do Rocio,
Maria Rita, Maria Helena como as várias que conhece,
mas não, mãe que do babado entendia bem mandou, bota aí:
Maria Das Dores.
E de Marias e de dores, vai se cumprindo a sina.
Sétima filha num renque de dez crianças, metade anjinhos que subiram para as hostes divinas antes do primeiro ano de vida, também ela, mãe aos catorze, aos vinte com dois filhos vivos, dois mortos, companheiro cumprindo pena na Frei Caneca, das Dores vai empurrando a vida.
Na segunda-feira dorme mais, limpa o barraco, lava roupa acorda com os resmungos e beijinhos da linda Greice que na inocência de seus quatro anos, adora dormir entre a mãe e o irmão Michel que aos seis anos já rateia.
_Ô mãe vê se consegue pelo menos uma cama só pra mim, não gosto de dormir com você e a Greice, ela joga as pernas em cima de mim a noite toda.
_Meu Deus! Preciso de mais uma casa para limpar.
De terça a sábado, a mesma rotina, deixar os filhos sozinhos, sai quase a correr pelos becos da favela, até chegar ao asfalto e mesmo que seja pendurada, seguir aos trancos e barrancos, dentro da primeira condução, até a cidade, de lá caminhar mais um eito, até as casas dos bacanas na zona sul, deixar tudo limpo, até às cinco horas para chegar às sete no barraco, falar rapidamente com a Rocio, vizinha generosa que leva e traz da escolinha os filhos de das Dores, junto com sua Carolayne.
Hoje segue célere, como sempre, para casa, vai feliz, carrega no sutiã o pagamento das faxinas da semana. Gastou um pouco no mercado, leva frango, salsicha e pão, um creme cheiroso para pentear os cabelos de Greice, sorri ao lembrar dos cachos longos e lindos da menina, leva também um sabonete chique, na caixinha bonita, presente da patroa, vai dar pra Rocio, vizinha boa merece.
Assim que desce do ônibus, o solavanco no peito.
Carros da polícia, homens que correm, as biroscas todas fechadas, os passageiros que desembarcaram com ela da condução tentam desesperados subir os degraus que levam ao alto do morro, enquanto outros descem correndo, no ar cheiro forte de pólvora, gritos e tiros, muitos tiros.
_Ô dona, não pode subir, quer morrer?
_Meus filhos estão lá sozinhos, vou subir para buscar eles.
_Não vai porra nenhuma, vai descendo.
Das Dores grita, esperneia desesperada, ouve muitos gritos, o braço que a segura amolece quando uma pedra é atirada por alguém que ela não vê entre as lágrimas, atingido no ombro o soldado arqueja e a larga, um sargento com uma escopeta na mão, grita _Deixa, deixa subir que foda-se.
_Vai negona vai, dane-se.
As pernas de das Dores doem moles, ela soluça alto, mãos machucadas ela praticamente arrasta-se nos últimos degraus.
Reconhece um rapagão seu vizinho, que carrega o pai doente, atrás sua mulher e os dois filhos correm._Viu minhas crianças? O menino responde:
_Estão aí para trás com dona Rocio. Das Dores percebe que perdeu um sapato, joga o outro fora, enxergando um casal que corre carregando crianças.
_Rocio, pelo amor de Deus cadê meus filhos?
_Vem das Dores, as crianças estão aqui.
_O marido de Rocio tem Greice no colo, olhos enormes e soluços doloridos.
_Vamos as duas, continuem a descer, depois conversam.
Agarrada à mão de Michel, descalça, toda descabelada, o coração saindo pela boca, das Dores reza uma algaravia que pretende ser um agradecimento a Deus por suas crianças e para ter forças para chegar ao asfalto.
Os tiros longe e esparsos agora, no frescor da madrugada com os dois filhos agarrados a seu corpo, das Dores tem os olhos secos, não adianta chorar.
Ela e Rocio se olham, sorriem e depois riem como loucas. _Onde estão seus sapatos?
_Perdi um, joguei o outro.
_Droga fiz uma janta tão boa...
_Trouxe alguma coisa pras crianças comerem?
_Como, Tião? Só lembrei do colchonete, sabia que passaríamos a noite ao relento.
_Mãe, podemos comer então essas salsichas e pão?
_Claro meu filho, você pegou a sacola, ainda bem, nem lembrei mais dela.
_Peguei claro, sabia que comeríamos fora hoje.
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015
CASA DE NUVEM
A CASA ERA DE NUVEM, COR DE ARCO IRIS, DOS OITÕES
PINGAVAM PEQUENOS CORAÇÕES_LAMBREQUINS_
DAS JANELAS ORNADAS COM FINAS RENDAS, ESCAPAVAM
ACORDES CRISTALINOS DE DOCE FLAUTA E SOBERBO PIANO,
NAS PAREDES BRANCAS BROCHURAS E VOLUMES CONTAVAM
A ERRANTE HISTÓRIA DO HOMEM.
NO JARDIM SOBRE O VERDE EM MEIO AS ROSAS,CARAS DE GATO,
CRAVOS E PERFUME ESTENDIA-SE O LINHO, BRANCO E AZUL A MENINA
QUE MORAVA NA CASA DE NUVEM, AGRADECIDA CANTAVA E ADORMECIA
COM O SABIÁ E O COLIBRI.
O NÉCTAR DOS DEUSES RETINIA NO TRANSLÚCIDO CRISTAL, O PÃO
FARTO E SABOROSO NA CASINHA DE NUVEM JAMAIS FALTAVA E O AMOR,
A PAZ, A TOLERÂNCIA...
ERA DE NUVEM A CASINHA.
quinta-feira, 29 de janeiro de 2015
HORA
NAS HORAS VÃS EM QUE O LUSCO FUSCO
SE INSTALA SORRATEIRAMENTE
O DESESPERO TAMBÉM ESCORREGA
INSIDIOSO CORROENDO AS ENTRANHAS
COMEÇA ENTÃO A SANHA DO CARRASCO
QUE LEMBRA O QUR PODERIA SER, TER...
MAS NÃO FOI, NÃO ACONTECEU, NÃO FLORESCEU
E SIM PASSOU, DEFINHOU...
MORTE, MORTE,MORTE.
terça-feira, 27 de janeiro de 2015
SENTIDOS
OUVIDO PARA SENTIR
A SOLIDÃO
BOCA PARA DEGUSTAR
O FEL
OLHOS PARA VER
O CAOS
TATO PARA SENTIR
A DOR
NARIZ PARA CHEIRAR
O ESGOTO.
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