sábado, 29 de dezembro de 2012
Infância
Perfume de pão de mel
dos primeiros natais,
noites de chuva e caça as rãs.
Eram os dezembros da infância.
quarta-feira, 26 de dezembro de 2012
Aula no domingo
Ivo viu a neve.
Ivo viu a nave.
Ivo viu a ave
mais leve que o ar.
Viu a belonave
sozinha no mar.
Ivo viu a abelha
fabricando mel
e escutou a ovelha
balir no vergel.
Ivo viu a moça
colhendo a romã
e depois o tempo
saltar como rã.
Ivo viu a festa
debaixo da ponte
e ouviu na floresta
a canção da fonte.
Lêdo Ivo (1924-2012)
segunda-feira, 24 de dezembro de 2012
sábado, 22 de dezembro de 2012
dica para um bom presente
Já que o mundo não acabou e que aí estamos, esperando melhores dias e correndo para presentear, viver e ser feliz, quero sugerir um livro que li recentemente e do qual gostei muito.
O Alvo, de Ilan Brenman é uma curta história infantil mas a mensagem serve pra qualquer idade, se você tem criança em casa , não esqueça que é no exemplo que elas se miram a maioria das vezez, por isso tenha livros em casa.
quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
E No Natal
Elvira se espreme entre as muitas pessoas que tentam chegar o mais
breve possível em casa, o homem atarracado e azeitonado a observa
apreensivo, ela fica atenta a manobra do ônibus pois sabe que no terminal
apinhado, se escorregar, pode ser pisoteada pelos passageiros.
Se tivesse visto o homem ficaria admirada, pois quando consegue
equilibrar-se dentro do ônibus ele já está observando seus esforços para
segurar as sacolas que carrega com dificuldade e percebe que ela carrega
duas grandes sacolas retornáveis.
Quer salvar o planeta. Ih! Acho que é tarde...ai que Ele não me ouça
ou além de me mandar ficar com ela nestes dias é capaz de me mandar
ficar por aqui sabe lá quanto tempo.
Elvira torce pra chegar ao próximo terminal a tempo de pegar o
ligeirão pois do contrário terá que esperar outro ônibus ou andar uma
distância grande e passar a ponte dos Padilhas que está há seis meses
aguardando conserto, fazendo os transeuntes passar por uma pinguela.
O homem percebe a apreensão dela e o palavrão murmurado ao ver
que o ligeirão acaba de deixar o terminal, fica desalentado quase tanto
quanto ela por não ter previsto a situação.
Elvira hesita um momento, sabe que se for aguardar outro ônibus
naquele burburinho de gente, que como ela quer chegar em casa a tempo
de preparar um jantar mais elaborado, vai se atrasar.
Então decide que mesmo com todo o peso das sacolas e a
dificudade da caminhada irá a pé, anda rapidamente até a catraca e deixa
o terminal.
O homem a segue quase correndo, ela e diversas pessoas andam por
uma trilha circundada de mato alto, a chuva forte que caiu logo após o
almoço deixa o caminho liso, qualquer escorregada ali é tombo na certa.
Elvira olha para cima e murmura:
-Me ajuda Baltazar.
O homem junta as duas mãos a frente da boca e também murmura:
-Não há de ver que a criatura me chama mesmo, Ele tem razão, ando muito
distraido, mas eles só chamam Pedro, Maria, Paulina, Fatima, Antonio
que o é rei do pedaço...e essa pobrezinha resolveu chamar logo eu?
Andando próximo de Elvira ele segura sua sacola mais pesada de modo que
sem perceber ela tem o peso bem aliviado e embora suando e bufando sobe a
ladeira íngreme, quando chega quase ao final vê o ônibus, seus pés patinam e ela acha
que não vencerá os últimos passos mas então Baltazar em desespero de causa vai
atrás dela e empurra seu bumbum com força, ela com o braço estendido dá sinal e
torna a segurar a sacola.
Ufa! por milagre não deixei cair a sacola.
Ufa! milagre mesmo, que peso é esse que você carrega aí criatura? E você aí,
levanta e dá lugar pra ela.
Elvira nem acredita quando o rapaz sentado a sua frente levanta para descer,
afastando as sacolas com dificuldade ela senta e ajeita a sacola grande a seus pés e as
outras, mantém no colo.
Graças a Deus, pensa, em dez minutos estarei em casa e depois do banho vou
fazer uma janta caprichada pra mãe e pra minha princesa, trabalhei como um burro de
carga esse mês mas a ceia de natal está garantida.
O homem sentado ao chão entre as pessoas fuça as sacolas sem qualquer pejo.
Humm! frango, credo eles comem isso? ah mas tem passas também e uvas,
e...nozes, bolachas doces, nada de figo, damasco... mas tem vinho, humm.
Um trovão enche o céu de luzes e barulho assustando Elvira e também o
homem.
_Eia não precisa ratiar, eu sei que o vinho é dela, não ia abrir só estava
olhando.
Elvira agarra todas as sacolas e sempre com o homem nos calcanhares
dividindo o peso das sacolas anda mais duas quadras, abre um portão de metal, solta
as sacolas e admira a pequena casa pensando que ali está todo o dinheiro que ela
conseguiu reunir em dez anos de economia e que ainda vai pagar mais dez anos, mas
as prestações são pequenas e por dentro tá uma belezinha récem pintada, azulejos na
cozinha e banheiro, durante o ano vai pintar por fora.
Se Deus quiser e você trate de me ajudar São Baltazar.
Ai! Eu te ajudo sim, mas não sou São coisa nenhuma sou rei, aquele que levou
mirra para o Senhor, e você é a primeira criatura a me chamar assim fora do dia seis
de janeiro me obrigando a descer aqui depois de mais de 2000 anos.
_Mãe que sorte que você já chegou, estava louca pra você chegar, tia Ika veio
nos ver e trouxe roupas que ganhou para vovó, trouxe um caderno de dez matérias
para mim e diversos adesivos e para você um casaco de lã, mandou te dizer que é
usado, ganhou da patroa dela mas está quase novo.
_Que bom filha. E você mãe, passou bem o dia?
_Tive dor pelo corpo, mas tomei o remédio e melhorei, consegui áte limpar a
cozinha pra ajudar a Jaqueline.
_Maravilha.
Elvira relanceia o olhar pelo comôdo limpíssimo, o homem também observa a
sala simples mais bem ajeitada, a cozinha anexa é só um pequeno corredor com
azulejos floridos na parede sobre a pia, de um lado desta o fogão no outro uma
geladeira enorme e velha, um armário antigo mas muito bem pintado de branco ajuda
a delimitar os dois comôdos, sem qualquer cerimônia ele vai entrando por um
pequeno corredor e abre a primeira porta que encontra.
Banheiro, invenção prática dos homens, pena que para cada boa idéia tenham
tido outas três infernais... que Ele não me ouça.
E aqui, quarto, coitadas só duas camas.
Volta a sala e não vê Elvira.
_Mamãe foi tomar banho, hoje vamos jantar mais tarde, quer que eu prepare
um pão pra você vó?
_Não, espero um pouco, o que ela trouxe tanto aí?
_Comidas, presentes...é natal vó.
_Bobinha, eu sei.
Baltazar continua sua exploração pela sala e repentinamente dá um salto que
chacolha os enfeites da árvore assustando ávo e neta.
_Feche a porta Jaque, o vento derruba a árvore.
A adolescente obedece olhando ressabiada na direção de Baltazar que
permanece com as duas mãos postas a frente da boca.
A comoção deve-se ao fato de que enquanto fuçava a árvore ele descobriu
entre os reis magos uma representação em gesso de sua figura com cabelos azeviche,
barba muito negra, o turbante branco e lilás e o manto curto que seu povo usava
naquela época e nas mãos a urna de mirra que ele ofereceu ao menino no estábulo na
noite em que ele, Gaspar e Melquior seguiram a estrela.
Com o coração enternecido observa a mulher que saiu do banho e penteia os
cabelos falando com a mãe e a filha.
_Agora vou preparar uma galinha safada para nós igualzinha a que vimos na
revista, arroz e salada, mas não vamos esperar meia-noite viu mãe eu também não
aguento até lá.
Pronto o jantar as três trocam presentes a menina comprou panos de prato
para a mãe, com economias tiradas do dinheiro de seus lanches e para a avó uma
singela caixinha com dois lenços e a avó oferece uma blusa para a filha e para a neta
um tenis, a mãe dá blusa e shorts para a filha e um livro indicado pela professora.
Depois rezam, Baltazar, as pressas, se põe entre elas e ao final funga quando
escuta Elvira agradecer a ''São Baltazar" por tudo de bom que nos oferecestes nesse
ano.
Ai! não sou São criatura, ah mas tá bom, agora gosto muito de você e de sua
família também, tá?
A meia-noite as três dormem, mãe e filha no beliche e a avó na caminha de
solteiro.
Elvira, ouvindo o alarido das comemorações à meia-noite, persigna-se e
silenciosamente deseja felicidades para a mãe e a filha.
Na sala uma nuvenzinha suspensa abriga um homem que brinca com
um objetozinho, causando grande surpresa a Elvira na manhã seguinte ao encontrar a
figura de gesso largada próximo ao sofá da sala.
quarta-feira, 19 de dezembro de 2012
terça-feira, 18 de dezembro de 2012
Rituais
Ainda de camisola faço a faxina, primeiro estender a cama, depois tirar o pò, então me visto e vou para a missa das dez, vou todo dia a missa ela me ajuda a dominar os monstros que me rondam só nâo vou as segundas porque é dedicada a alcóolatras com depoimentos de integrantes do aa e eu lembro de meu pai, ás onze horas já estou de volta, acendo o fogo para cozinhar o feijão que já está de molho, feito isso, limpo todo o assoalho com pano úmido, afasto os poucos móveis quando eles não permitem a limpeza adequada.
Depois do almoço, tomo o remédio para diabetes, faço a limpeza da louça, como uma laranja, gostaria mesmo de comer um pedaço de bolo, ou de tiramissú, mas o fato de agora ser diabética tirou-me também este prazer.
Deito, leio algumas linhas e adormeço durante uma hora, depois, transporto a maleta de madeira para a mesa e ali disponho sobre um azulejo a argila ainda em peça e começo moldando alguns passáros, aliso-os, com a ponta dos dedos, com a espatulazinha de madeira, até considerá-los bem acabados, então abro-os com a esteca deixando uma abertura suficiente para plantar uma folhagem pequena, ou para que sirva de vaso, uma peça bastante vendida, depois alguns divinos, dois bustos para colocar bijuterias, coloco-os para secar sobre um tecido no chão no canto da cozinha.
Depois de vinte e quatro horas é realizada a primeira queima, as peças maiores são submetidas a duas queimas, depois a esmaltação e seguem para venda.
Não é ela quem vende e sim um casal, donos de um grande empório no Juvevê, há muitos anos mantém essa relação, agora já de confiança, com eles, mais recentemente o proprietário de uma floricultura na praça Zacarias também vende suas peças principalmente vasos e guirlandas de flores.
Pouco antes das sete janto um sanduíche de atum, alface e tomate, limpo a cozinha, tento desenhar algumas peças que venho tentando desenvolver mas embora tente impedir os pensamentos maus, começo a ficar angustiada, e o calorão que me assola agora quase todas as noites começa a me porejar a cabeça e o rosto de suor, como se um balde de água fervendo estivesse me escorrendo pelo pescoço.
Imediatamente começo a procurar o tênnis, calço mesmo sem meias, também não coloco sutian, saio pra rua e começo uma corrida facilitada pelo declive da Ermelino de Leão, corro loucamente, dois homossexuais que vem em sentido contrário, assustam-se.
_Creedo, louca.
Continuo em minha corrida só parando nos bancos em frente ao edifício Tijucas, arquejante sento ali e espero um bom tempo até que o calorâo e o suor começam a ceder então vagarosamente inicio a subida para casa, vou direto para o chuveiro.
Depois só de camisola sento com um jornal de literatura nas mãos, rio lembrando dos rapazes que assustei em minha corrida insana.
Mais tarde como uma pera, escovo os dentes e deito, talvez consiga dormir, hoje.
sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
cinzas
Folhas marrons e negras ao vento, assim me sinto totalmente ao léu, sem destino, sem paz, sem casa como sempre me senti.
Uma psicóloga me disse que a mania recorrente de desenhar casinhas e janelas advém do fato de sempre me sentir sem casa, sem pouso, um barco à deriva, para usar uma frase feita e que cabe bem em meu estado atual, quando sinto frio constante, aquele frio que cobertor algum pode aquecer, que te escorre da alma e coração.
É o outono do ser em pleno verão do calendário.
E tudo fica pior porque preciso correr para as cortinas pois uma nesga de céu avermelhado ameaça invadir meu quarto negro, logo agora, que eu já me consolei com meu tormento de hora inteira.
Mas felizmente ao assomar à janela vejo galhos retorcidos do que era uma azaléia rosa e antes de chegar a cama sinto sob os pés o fraturar dos corpos, das centenas, de baratas que comigo dividem o espaço.
quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
CAP 31
_Mas o senhor se dá ares hem! Meganha de meia tigela e você, merda retardado, fica todo cheio com o que o babaca diz como se fosse a maior das descobertas...
_Cale a boca Cloé não nos prejudique mais.
_Prejudicar? Eu? Você nos prejudicou a vida inteira colocando fora tudo que tinhamos com suas negociatas burras sua impáfia inútil.
E essas duas velhotas aí se divertindo as nossas custas, pena que naquele dia eu não tivesse arrastado as duas miseráveis pra debaixo de minhas rodas.
Amelia apavorada dá um gritinho e levanta, mas Quaresma chega antes até Cloé, algemas abertas.
FIM
_Cale a boca Cloé não nos prejudique mais.
_Prejudicar? Eu? Você nos prejudicou a vida inteira colocando fora tudo que tinhamos com suas negociatas burras sua impáfia inútil.
E essas duas velhotas aí se divertindo as nossas custas, pena que naquele dia eu não tivesse arrastado as duas miseráveis pra debaixo de minhas rodas.
Amelia apavorada dá um gritinho e levanta, mas Quaresma chega antes até Cloé, algemas abertas.
FIM
terça-feira, 11 de dezembro de 2012
cap 30
_E de sua sobrinha, o senhor não tem pena, que ela tenha sido praticamente abandonada pelos pais e tenha sofrido com os ciúmes de sua filha primeiro e com as pressões de sua mulher depois e agora tenha sido assassinada da forma torpe e mesquinha como aconteceu?
Eu o entendo perfeitamente senhor advogado afinal está vivendo o pior momento de sua vida não é? o senhor é escolado e já sabe que recolhemos o comprovante do estacionamento e sabemos exatamento o que aconteceu.
Fico me perguntando por que pessoas como o senhor se deixam dominar por outras tão menores, o senhor tinha que ter agido e impedido essa desgraça toda.
Eu o entendo perfeitamente senhor advogado afinal está vivendo o pior momento de sua vida não é? o senhor é escolado e já sabe que recolhemos o comprovante do estacionamento e sabemos exatamento o que aconteceu.
Fico me perguntando por que pessoas como o senhor se deixam dominar por outras tão menores, o senhor tinha que ter agido e impedido essa desgraça toda.
segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
cap 29
_Ah! o senhor me disse que estava no Rio.
_Vim a Curitiba porque diversos problemas financeiros estavam assolando o escritório e eu tive que participar de uma negociação que preferiamos manter sigilosa.
_Sei... mas naquela manhã o senhor estava em Curitiba.
_Que grande descoberta, o senhor acha que o titio matou a filha?
_Não, eu acho que você matou sua prima por ciúme e raiva, por ela ter herdado os bens de sua avó.
_Pare imediatamente com isso, não trouxe minha filha aqui para ser maltratada.
_Vim a Curitiba porque diversos problemas financeiros estavam assolando o escritório e eu tive que participar de uma negociação que preferiamos manter sigilosa.
_Sei... mas naquela manhã o senhor estava em Curitiba.
_Que grande descoberta, o senhor acha que o titio matou a filha?
_Não, eu acho que você matou sua prima por ciúme e raiva, por ela ter herdado os bens de sua avó.
_Pare imediatamente com isso, não trouxe minha filha aqui para ser maltratada.
domingo, 9 de dezembro de 2012
Anna Akhmátova
Anna Akhmátova (1889-1966)
Aprendi a viver com simplicidade, com juízo,
a olhar o céu, a fazer minhas orações,
a passear sozinha até a noite,
até ter esgotado esta angústia inútil.
Enquanto no penhasco murmuram as bardanas
e inclina o alaranjado cacho da sorveira,
componho versos bem alegres
sobre a vida caduca, caduca e belíssima.
Volto para casa. Vem lamber a minha mão
o gato peludo, que ronrona docemente,
e um fogo resplandecente brilha
no topo da serraria, à beira do lago.
Só de vez em quando o silêncio é interrompido
pelo grito da cegonha pousando no telhado.
Se vieres bater à minha porta,
é bem possível que eu sequer te ouça.
1912
in Rosário
sábado, 8 de dezembro de 2012
cap 28
_Então seu Quaresma qual é a pantomima que o senhor pretende nos apresentar hoje? que seja rápida porque tenho outros afazeres.
_Vai ser tão rápido quanto necessário doutor, vai depender dos demais atores.
_Por favor tanto você, Mareski, quanto o senhor sargento respeitem a minha dor e coloquem um ponto final nesta agonia o quanto antes.
_Pois bem, uma coisa estranha que o senhor já pode começar esclarecendo, onde exatamente o senhor estava no dia do assassinato de sua filha?
_Estava aqui em Curitiba até uma hora da tarde, porque devido ao mau tempo o avião não decolou as nove horas como o previsto.
_Vai ser tão rápido quanto necessário doutor, vai depender dos demais atores.
_Por favor tanto você, Mareski, quanto o senhor sargento respeitem a minha dor e coloquem um ponto final nesta agonia o quanto antes.
_Pois bem, uma coisa estranha que o senhor já pode começar esclarecendo, onde exatamente o senhor estava no dia do assassinato de sua filha?
_Estava aqui em Curitiba até uma hora da tarde, porque devido ao mau tempo o avião não decolou as nove horas como o previsto.
sexta-feira, 7 de dezembro de 2012
cap 27
_De pantinho? que vocabulário! Vou expedir as imtimações mas ele pode inclusive não comparecer nem permitir que a família vá.
_Quer apostar? Essa gente tá se borrando de medo, vão todos pra reconstituição sim.
E lá estavam o advogado com cara de poucos amigos, a esposa sem um fio de cabelo fora do lugar, Franciely com cara de choro, o pai da vítima, pálido como um cadáver, o porteiro, seu Salvador, parecendo mortalmente assustado, dona Amelia e dona Miriam muito quietas e compostas sentadas no pequeno sofá.
E Quaresma, o gatão que pretende fazer uma festa.
_Quer apostar? Essa gente tá se borrando de medo, vão todos pra reconstituição sim.
E lá estavam o advogado com cara de poucos amigos, a esposa sem um fio de cabelo fora do lugar, Franciely com cara de choro, o pai da vítima, pálido como um cadáver, o porteiro, seu Salvador, parecendo mortalmente assustado, dona Amelia e dona Miriam muito quietas e compostas sentadas no pequeno sofá.
E Quaresma, o gatão que pretende fazer uma festa.
quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
VIDAS
Da palavra concreta, as linhas puras e
belas, a procura de explicação e sentido para nossa in/sensatez.
Do concreto armado para as curvas e retas belas
e singelas, a procura do infinito.
Duas vidas retas.
cap 26
Na corregedoria Quaresma vai direto a porta do comando geral, o que é estranho porque ele teria que reportar-se a seu delegado antes, mas ele está sendo chamado para dar esplicações devido a queixas do advogado Mareski.
_Estudamos juntos, o que não vem ao caso, Mareski está me dizendo que você foi desrespeitoso com a mulher dele e que o está achacando sem motivo...
_Conversa, dei meia dúzia de palavras com a mulher sem qualquer desrespeito e ele está obstruindo a justiça isso sim, quero que você mande expedir hoje as intimaçôes ou estou fora desta história.
_Escuta aqui toda hora você ameaça cair fora, qual é hem?
_Claro! eu me ferro todo na rua, frio, chuva, bandido o escambau, te conto uma história dessas e você fica de pantinho pra expedir os mandatos.
_Estudamos juntos, o que não vem ao caso, Mareski está me dizendo que você foi desrespeitoso com a mulher dele e que o está achacando sem motivo...
_Conversa, dei meia dúzia de palavras com a mulher sem qualquer desrespeito e ele está obstruindo a justiça isso sim, quero que você mande expedir hoje as intimaçôes ou estou fora desta história.
_Escuta aqui toda hora você ameaça cair fora, qual é hem?
_Claro! eu me ferro todo na rua, frio, chuva, bandido o escambau, te conto uma história dessas e você fica de pantinho pra expedir os mandatos.
quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
CAP 25
_Dona Amelia a senhora nos prestou um serviço inestimável, e a senhora também dona Miriam agora quero que as duas se cuidem, sabem como é, quem mata uma vez...
_Não se preocupe detetive meu filho vem logo após o almoço, temos uma casa de veraneio aí em Morretes e vamos ficar uns dez dias por lá.
_O próximo passo será...
_Uma reconstituição do crime no local dos fatos.
_Você acha que vai conseguir isso? O Delezari vai permitir?
_Só vai, ou tô fora, aliás vamos agora pra central.
terça-feira, 4 de dezembro de 2012
CAP 24
_Falou com alguém? tive medo e colocar meu nome no bilhete.
_E isso nos obrigou a perguntar para o porteiro, e se ele conseguiu juntar os dois neurônios, sabe que a senhora tem alguma informação para nós... tem.
_Tenho, acomodem-se por favor que vou lhes explicar, sente também Miriam, naquela manhã eu e Miriam fomos ao mercado e quando voltavamos, ela puxando o carrinho de feira e eu com duas sacolas, quase fomos atropeladas por um desses carros caros que saía cantando pneus aí do estacionamento no final da quadra, conheciamos o condutor mas nem tivemos chance de gritar-lhe qualquer desaforo, embora Miriam tivesse prometido que ia fazê-lo pessoalmente.
segunda-feira, 3 de dezembro de 2012
CAP 23
Na portaria sem qualquer preâmbulo Quaresma vai indagando.
_Quem é a mulher que saiu com um gorro de pele?
_Quem saiu não sei mas dona Amelia do 1212 acabou de subir com um desses gorros tigrados.
Dona Amelia nos esperava, abriu a porta quase imediatamente e fez sinal para que entrássemos.
O apartamento de dona Amelia, ao contrário do das meninas, é grande dois quartos provavelmente, tudo limpo e muito arrumado, a empregada nos observa da cozinha.
sábado, 1 de dezembro de 2012
Tarde No Mar
A tarde é de oiro rútilo: esbraseia.
O horizonte: um cacto purpurino.
E a vaga esbelta que palpita e ondeia,
Com uma frágil graça de menino,
Pousa o manto de arminho na areia
E lá vai, e lá segue o seu destino!
E o sol, nas casas brancas que incendeia,
Desenha mãos sangrentas de assassino!
Que linda tarde aberta sobre o mar!
Vai deitando do céu molhos de rosas
Que Apolo se entretém a desfolhar...
E, sobre mim, em gestos palpitantes,
As tuas mãos morenas, milagrosas,
São as asas do sol, agonizantes...
cap 22
_Quem deixou o prédio enquanto eu discutia com o porteiro?
_Um homem de terno e uma senhora de gorrinho de pele.
_O homem era jovem?
_Ah sei lá, nâo era rapazinho, mas também não era velho.
_Então foi a senhora, olhe a letra meio tremida e cartas anônimas são mais coisa de mulher. Como era esse gorro?
_Desses redondinhos que as mulheres estão usando, esse parecia pele de tigre.
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