sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

A Ceia



Miguel atarefa-se pela cozinha, dona Elvira curva-se vez ou outra na poltrona para observá-lo pela porta em arco que separa a pequena sala de estar da cozinha.

Franze os lábios e sacode a cabeça em um não mudo e desalentado.

Das panelas no fogo escapam odores deliciosos, uma carne suculenta acaba de ser retirada do forno e agora Miguel intercala fatias de abacaxi às de carne exatamente como vira no programa de culinária.

- Humm. Giordana, você não imagina como isso vai ficar delicioso. Tá confortável aí? Quer uma almofada para apoiar as costas?

Miguel afasta-se e olha a mesa com satisfação, as velas, as flores e as taças vermelhas combinando.

- Bom, agora Giordana só mais dez minutinhos, para o meu banho.

- Não demore Miguel, estou com fome e não posso ficar acordada até muito tarde.

- Tá, tá mãe, volto já.

A velha senhora anda vagarosamente até a mesa, afasta uma cadeira e senta-se com cuidado para não derrubar nada, come algumas uvas encarando a figura a sua frente.

- Coisa feia, como meu filho não enxerga que está perdendo a vida... Bem diz o Dr. Temporal, preciso convencê-lo a tratar-se...

A figura de borracha e celulóide à frente da senhora permanece imóvel e tesa.

Nenhum comentário:

Postar um comentário